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domingo, 21 de novembro de 2010

A noção de consciência intencional.

Marin Heidegger foi um filósofo alemão que nasceu em 1889 e morreu em 1976, sua filosofia tinha como ponto fundamental o objetivo de destruir a noção de consciência defendida por Bretano e Husserl e substituí-la pela noção de “ser no mundo”.

Wittgenstein, que também foi um filósofo alemão, nasceu em 1889 e morreu em 1951, seus escritos tinham como função a tentativa de implantar uma filosofia voltada para a intencionalidade gramatical.

Tanto Heidegger quanto Wittgenstein desenvolveram suas teorias de uma forma que acabaram sendo direcionados a questionamentos que buscam o entendimento de algumas questões como, por exemplo, qual a diferença entre o objeto e sua funcionalidade? Quais os limites para a compreensão do mundo? Por quem e como o mundo é formado? Como entender a relação do pensamento para com o objeto e como isso ocorre?

Estes questionamentos foram feitos por eles durante anos, porém, Heidegger os direcionava para uma justificação e o entendimento da função de temas como o “ser – ai”, o “ser- no- mundo”, enquanto que Wittgenstein preocupava- se com temas que o levassem a entender de que forma era expressada a relação entre objeto e funcionalidade. Em outras palavras ele tentou substituir a consciência pela linguagem.

Como sabemos, a filosofia é algo muito complexo, pensando nisso, acredito que para o entendimento da noção de “coisidade” das coisas, ou o “ser-ai” para Heideggter é necessário recorrer às idéias de outros autores como está expressa na citação a seguir:

“A coisidade da coisa é definida, insistamos neste ponto, pelo modo como operamos, isto é, a coisa é constituída pelo manusear do utensílio: a manualidade (Handlichkeit). Analisar o modo de ser do utensílio, portanto, é dar conta do que está mais próximo, é dar conta do ser do ente intramundano: caneta, trena, régua, volante, agulha, etc. O manuseio destes utensílios é a coisa mesma; e, portanto, o único modo de “voltar às coisas mesmas” é tematizar o modo de ser do utensílio. Voltar às coisas mesmas não é então simplesmente reconhecê-las como próximas, pois esta proximidade é dada pelo seu emprego, manuseio, utilização”. (História da filosofia IV / Selvino José Assmann, Delamar José Volpato Dutra, Luiz Hebeche. – Florianópolis, FILOSOFIA/EAD/UFSC, 2009, pág 225).

Ou seja, segundo Heidegger, o “ser-ai” é responsável pela ligação entre os objetos e a forma com que eu os interpreto, em outras palavras, o simples fato de eu conhecer um carro não quer dizer que eu saiba dirigir, para aprender a dirigir é necessário conhecer o carro, entender que a funcionalidade do carro ou o “ser – para” deste carro é a de transportar e que para que eu possa usufruí-lo sem depender dos outros preciso aprender a dirigí-lo, pois, um carro sem motorista passa a ser um utensílio simplesmente dado, pois, ele perde sua funcionalidade, é o mesmo que um martelo ou brinquedo quebrado.

Portanto, segundo Heidegger, a mundialidade dos objetos é o que os relaciona a outros objetos criando assim uma noção de mundo. Em outras palavras, se eu me tranco no quarto e fico lá durante certo tempo, todos os utensílios que ali estão passam a ser o “ser- no- mundo” em que estou vivendo, determinando assim, que o ser- no- mundo segundo Heidegger é formado por utilidade, utilidade esta que tem por objetivo classificar cada utensílio definindo sua utilidade perante o mundo material.

Já a preocupação de Wittgenstein é voltada para a eliminação da consciência enquanto responsável pela análise da intencionalidade do objeto, e o surgimento de uma entidade capaz de analisar e classificar o uso da linguagem como sendo correta ou não. Para melhor entender isso vamos ver a seguinte citação:

“A intencionalidade não mais diz respeito à conexão entre atos mentais intencionais e a realidade, mas à conexão entre a linguagem e a realidade. A direcionalidade dos atos mentais monológicos é substituída pelas regras de uso das palavras na linguagem pública.

A intencionalidade, ou seja, a direção dos signos lingüísticos encontra-se em execução na complexa trama da linguagem. Da atividade da consciência muda-se para a atividade da linguagem.

A vitalidade dos signos encontra-se já na execução da complexidade da linguagem. Nesse sentido, uma fenomenologia da percepção ainda é uma ilusão gramatical à medida que pensa os atos intencionais na herança da intencionalidade transcendental monológica, enquanto que a compreensão intencional da linguagem nunca é um processo concebido numa consciência monocêntrica”. (História da filosofia IV / Selvino José Assmann, Delamar José Volpato Dutra, Luiz Hebeche. – Florianópolis, FILOSOFIA/EAD/UFSC, 2009, pág. 248).

Sendo assim, concordo com Heidegger e Witeggensten no que diz respeito à utilidade e a funcionalidade de cada objeto, pois, se fosse o contrário, ou seja, um objeto perdesse sua funcionalidade quando quebrasse ninguém o jogaria no lixo, como um martelo quebrado, por exemplo, pois, ele mesmo quebrado manteria a sua função de martelo podendo ser utilizado normalmente. Portanto, acredito que um objeto é idealizado para exercer uma determinada função e quando perde esta funcionalidade ele só poderá continuar a ter uma função se você atribuir a ele outra função.

Um exemplo disso pode ser o carro, enquanto está bom, sua funcionalidade é a de levar as pessoas de um lugar para outro, quando esta sua funcionalidade não pode mais ser exercida algumas pessoas passam a utilizá-lo como objeto de decoração em exposições feitas por colecionadores de carros antigos.

Porém, este é um ponto muito questionado da teoria de Heidegger e Witeggensten. Eu, por exemplo, acredito que um objeto ou qualquer tipo de conhecimento não necessita ser reavaliado quanto a sua funcionalidade para que não perca sua funcionalidade e consequentemente seja excluído da história, para mim, a conservação de objetos antigos é a manutenção da nossa história sempre viva para que nossos filhos possam saber como as coisas eram e para o que elas evoluíram, porém, caso este objeto não mais exista em sua forma material ainda assim existirão as lembranças das pessoas que o conhecerão, portanto, se eu consigo falar sobre algo como posso dizer que ela não existe? Um bom exemplo de como podemos guardar a nossa história são os livros, pois, para que serve um livro de filosofia, matemática, geografia, etc. escrito por um autor ultrapassado se não para mostrar que algum um dia determinadas coisas foram pensadas de uma forma e que com o passar dos anos outros autores reavaliaram estas idéias tidas até então como verdades absolutas e provaram que elas estavam erradas?

Bom, tudo o que foi dito até agora tem um propósito único, tentar entender qual era a forma de pensamento usada por Heidegger e Wittegenstein para entender a funcionalidade da mente em relação ao tempo e espaço, conceitos estes que são capazes do nos ajudar a entender o mundo interno e externo em que vivemos.

Ai eu pergunto: De que forma estamos fazendo isso? Através do que eu estou tentando me fazer entender?

Certamente só existe uma forma de expressar minhas idéias com relação a estas noções, e esta forma é através do uso da linguagem, linguagem esta que só será entendida se eu conhecer como se dá o uso correto da gramática. Portanto, concordo que a gramática é o fio condutor entre o pensamento e a realidade, porém discordo da eliminação da consciência, uma vez que, para mim ela é responsável pelo processamento das sentenças expressas através da linguagem, emitindo assim posicionamentos com relação a tudo que está na nossa mundialidade. (Moacir Canônica Sobrinho, 2009)

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